Extremismo, o sentimento distante que mora ao lado

  Alguns assuntos são recorrentes nos noticiários e acabam se proliferando nas conversas pessoais, gerando debates presenciais ou nas redes sociais. Quando falamos em extremismo, a ideia que vem à cabeça de todos é de algo distante, restrito a determinados grupos, é recorrente ouvir sobre o extremismo islâmico ou extremismos políticos praticados por governos autoritários. Mas não é preciso ir muito longe para encontrar fanatismos, eles estão mais próximos do que imaginamos.
  Um dia de clássico, aquela rivalidade entre clubes, torcedores eufóricos, uma mistura de sentimentos, 90 minutos separam o sabor da vitória do amargo da derrota. É uma competição, deveria correr tudo tranquilamente, afinal a rivalidade entre jogadores no geral é restrita ao campo, o fairplay que deveria servir de exemplo aos expectadores nem sempre é respeitado. Infelizmente a realidade de parte das torcidas de clubes de futebol não seguem o que a grande maioria de seus ídolos transmitem durante o jogo ou mesmo em suas entrevistas e redes sociais. É recorrente os casos de torcedores agredidos e muitas vezes mortos por uma rivalidade que não deveria sair dos estádios, é o extremismo que toma conta de pessoas que cometem atitudes impensadas, apenas a cor da roupa ou o escudo do time adversário transforma um oponente em um inimigo que deve ser combatido.
  Assim como o futebol, a religião e a política fazem parte da trindade intocável nacional, afinal como diz o mainstream, "futebol, religião e política não se discutem". No caso da religião, toda manifestação deve ser respeitada, toda crença ou a falta dela é uma livre escolha do indivíduo, ao menos em teoria, na prática as coisas não acontecem assim, não são apenas os muçulmanos os fanáticos, os cristãos podem ser igualmente ou mais extremistas do que os seguidores de Maomé, afinal existe dentro do cristianismo várias crenças e sub-crenças, muitas delas tentando pregar a verdade absoluta, distorcendo informações, gerando intrigas, competições internas e inúmeros discurso de ódio, afinal tem muito cristão que parece não seguir os preceitos básicos de sua religião, julgando escolhas sexuais, ideológicas e mesmo religiosas de seus semelhantes. Judeus podem também se entregar ao comportamento intolerante, afinal muitos pregam o ódio contra os muçulmanos e até contra alguns grupos cristãos, ora olha como o extremismo religioso nos cerca, religiões africanas ou pagãs, para muitos algo a ser abominado, mas elas têm o direito de coexistir com todas as outras.
  A política brasileira nos últimos anos tem se revelado um campo de disputas sociais e ideológicas, o partidarismo exacerbado e a dicotomia dominante fez florescer uma perigosa bipolaridade na população. Política hoje é apenas mais um campo de batalhas, não há defesa de boas ideias, mas de um lado, como se fosse um clubismo, como se existissem torcidas cegas pelo seu time, tietes de artistas que muito prometem, mas que nada entregam. A corrupção atinge todos os partidos existentes no país, afinal uma sociedade corrupta terá o seu reflexo no poder público, devemos ser contra qualquer tipo de corrupção e esquecer as frases batidas do tipo :"fulano fez muito pelo povo", caso seja comprovado desvios, esquemas e qualquer ato ilegal, deve sim ser punido a altura. Outra coisa que é latente em meio a política não apenas nacional é a radicalização de ideais, seja eles de qual natureza forem, esquerda, direita, todos pregam em suas proporções o ódio e a intolerância, quem enxerga outra saída é o indeciso, é o que está em cima do muro. Todo extremismo político me faz lembrar de um tweet recente do Leandro Karnal, o qual diz que a corrupção não possuí base partidária, é uma verdade irrefutável, mas o extremismo cega, e nós sem percebemos vivemos em uma sociedade extremista, afinal não somos nós os intolerantes, sim os sírios que fogem de um violento conflito, a intolerância bate à porta dos brasileiros, mas ela não vêm de fora.

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